As tradições culturais e as artes traduzem modos difereciados de perceber,
sentir, atribuir significados e valores à ampla gama de relações sociais. A
apropriação crítica e criativa do diversificado patrimônio cultural brasileiro
e dos códigos específicos das linguagens artísticas é, portanto, instrumento
de formação do indivíduo, de conhecimento e de transformação da realidade,
bem como arcabouço da construção do sentido de pertencimento social. Para tanto,
porém, é preciso conhecer, formar gosto, ganhar competência cultural para interpretar
e utilizar signos e códigos próprios de tais universos. Esse processo leva
tempo e envolve a competência institucional das estruturas sociais, seja da
escola, seja dos meios de informação, somada às competências próprias de cada
comunidade e de cada indivíduo.
Observa-se que a formação dos indivíduos especialmente
daqueles que dependem prioritariamente de agências institucionais públicas
para ter acesso ao patrimônio artístico e cultural não vem associando os assim
chamados conteúdos escolares às referências culturais e às linguagens artísticas.
Boa parte das crianças, dos adolescentes e jovens adultos em situação de vulnerabilidade
social defronta-se com enormes barreiras simbólicas para usufruir bens culturais
mais elaborados, adquirir hábitos culturais e, assim, apropriar-se efetivamente
da produção cultural da sociedade.
É necessário e urgente, portanto, incidir na formação inicial e continuada de
mediadores e formadores para que tenham competência e prazer em aproximar o patrimônio
cultural de adolescentes e jovens adultos que se encontram à margem dos circuitos
mais elaborados da cultura e das artes. Mediadores e formadores que tanto podem
ser agentes das instituições escolares públicas como aqueles que integram (ou
têm desejo e interesse de integrar) o campo das práticas culturais no meio social.
Também é necessário e urgente fazer da cultura palco para o desenvolvimento de
potencialidades profissionais de adolescentes e jovens adultos, seja no campo
da produção, seja no da circulação e difusão de bens culturais.
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