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21/11/2009
A celebração do Coco de Roda

A primeira noite do Festival Canavial foi uma celebração de uma das mais tradicionais danças criadas na junção das tradições de origens africanas e movimentos, acompanhados de versos e palmas de mão: o Coco. Essa tradição que é encontrada em praticamente todo o território nordestino, mas que Jackson do Pandeiro, dito como o Rei do Ritmo nos anos cinqüenta a setenta, coloca o Coco como sendo “pernambucano do canavial”. O que assistimos na noite de ontem foi o Coco dançado e cantado de diversas maneiras em Pernambuco. Assim, os que estiveram no terreiro da casa grande do Engenho Poço Comprido dançou o Coco do Cancão Pio, vindo da Serra do Ororubá, uma forma da dança do coco criada em uma família, uma dança coletiva de socialização clara e imediata; e também pode acompanhar cocos mais próximos das áreas religiosas de Umbanda, do Xangô (como se dizia em Pernambuco), da Jurema, como os cocos de Aliança, Goiana e Olinda, além dos cocos criados e crescidos para a interação social, como os cocos de Pontezinha e Nazaré da Mata, careegados de sensualidades.

Podemos verificar, nesse ritmo e nessa dança a grande criatividade brasileira, a criatividade ainda não podada pela “civilização” que insiste na sua resistência à cultura brasileira. É muito bonito ver o povo dançando nos lugares onde antes eram castigados. Vive-se a liberdade, como disseram os coquistas que vieram da Serra do Ororubá, o povo do Canção Piô

Biu Vicente


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